60 anos da APAE de Taubaté
A APAE Taubaté tornou-se sexagenária, com todo frescor e entusiasmo de um adolescente em transição em busca por identidade e autonomia; com a experiência e sabedoria de um sênior adquirida ao longo dos seus bem vividos anos, propiciando experiências que possam agregar as gerações futuras; e a vitalidade de uma criança que começou a explorar o mundo agora, querendo compreendê-lo de maneira curiosa. Às vezes confusa, sem saber que caminhos trilhar, às vezes boquiaberta com as descobertas que ainda faz e a deixam maravilhada. A APAE de lutas constantes, de ideias “fora da caixa”, de equívocos em busca do melhor, de saber se recondicionar e se reencaminhar. A APAE que troca os pneus com o carro andando e que por vezes pula de paraquedas sem o dispositivo que permite diminuir a velocidade, criando um arrasto tão impactante e tão importante, pois só assim se constrói um mundo mais acolhedor. Com essa inquietude e com a capacidade de provocar e até aborrecer a ponto de alguma transformação ocorrer, segue compreendendo que modificações são tão necessárias. De uma APAE inserida em uma sociedade excludente vivendo um sonho funcionalista que insiste em uma cidadania social plena. Para a APAE sonhos, para outros devaneios. E como sonhos ela segue acreditando que são partes do processo cognitivo ligado ao contexto de vida do sonhador. Ou uma realização disfarçada de um desejo reprimido. Tanto faz. Entre sonhos e desejos, a APAE desde sempre só quis e quer uma única coisa. A garantia de direitos e oportunidades de maneira igualitária. A eliminação de barreiras sociais e a promoção a participação por inteiro, sem metades, sem incompletudes, da pessoa com deficiência na sociedade. Pensando melhor, a APAE quer várias coisas e que seja assim, que aprenda a todo momento, solicitar, reclamar, requerer, interceder cada vez mais, sem dar sequer um segundo de paz, para que assim alcance maior serenidade, equilíbrio e tranquilidade na compreensão ao diferente.
Neste contexto a APAE se deparou com uma vida de diferenças e incompreensões. E tenta mostrar ao outro o que tanto essa diferença que leva a distanciamentos se torna tão desnecessária e incabível. Diferença pode significar desigualdade, desequilíbrio e desarmonia. Inconformada que é, a APAE simplesmente adota uma ideia diferente sobre o diferente, gosta de categoriza-lo como algo próximo a distinto, eminente, respeitado e notável. Como todo processo de ensino / aprendizagem exige paciência e habilidades diversas. Uma reconstrução de pensamentos requer revisões conceituais. Não se trata de neutralizar oposições, e tão pouco é uma premissa da “différance”. Descontruir é contestar limites centralizadores e não deixar que um pensamento rígido impossibilite a construção de novos conhecimentos. Tão difícil explicar, tão complexo vivenciar e sentir. E dentro de suas complexidades e possiblidades a APAE segue, caminha, tropeça e avança. Volta duas casas, absorve uma nova lição para depois avançar mais três casas. Sim, em passos lentos e repetitivos, esbarrando nas adversidades, se esgueirando das complicações, enfrentando dilemas e ficando permeada de dúvidas. Esforçando-se em seu imaginário para achar soluções aonde permeiam ambiguidades.
Parabéns APAE Taubaté por nesses sessenta anos resolver viver seus impasses, “às vezes precisando partir, para voltar e repartir”. “Sem medo de errar, só com medo de desistir”. “Lutando para que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”. E que percebeu que só “é lutadora, pois sabe lutar consigo mesma”. Entre frases de poetas e citações de músicas continue “a nadar”, e saiba que toda insistência jamais será em vão. Por pelejar por um mundo melhor, mais justo e igualitário. De lutas incessantes e cansativas, mas que diante de todo resultado positivo se percebe o quanto seu papel é importante e relevante para uma sociedade que ainda engatinha e falha nas questões de inclusão social. Nunca se torne uma ausência afetiva, não se transforme em solidão desconexa e tão pouco seja isolamento que amorteça emoções. Seja sempre parte do processo evolutivo, das mudanças dos comportamentos disruptivos, porém sabendo a hora exata de se tornar impulsiva, rompendo padrões, desafiando o status quo e abandonando hábitos nada benéficos de maneira constantemente objetiva, perspicaz e francamente ativa.